E então nasceu a galinha do pedaço...

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Dois dias depois do aparente happy-end, a história do ataque jihadico àquela menina da UNIBAN ainda arranha meus ossos. Acho que porque, de certa forma, já me vi envolvido num caso mais ou menos assim. Não como ator principal ou figurante; meu papel, no caso que conto, foi o de confessor da vítima.

A putinha do colégio é um personagem recorrente, sempre houve onde estive. O que nunca me perguntei, pelo menos até os dezesseis anos, foi se era verdade mesmo que a putinha era putinha. E, se não era, porque diziam que era.

Uma amiga de que nunca me esqueci - Delvania, o nome - esclareceu de vez as coisas. E, depois dela, nunca mais caí no papo de aquela-garota-ali-dá-pra-todo-mundo-vai-que-é-mole.

Ao cenário com seus atos.

No Colégio da Asa Norte, em Brasília, tinha a Verônica e a Delvania. As duas muito bonitas, não eram amigas mas se falavam.

Verônica era uma morena sorridente, alta, cheia de amigas e caras interessados. Uma espécie de atração nas rodinhas de garotas, sempre com uma coca-cola na mão e sempre só ela falando. As outras, ouvindo como quem recebe ordens. Namorava o Alexandre, o gostosão do instituto. Forte, posudo, boa pinta, o único que tinha vaga cativa no time de vôlei. Não porque jogasse tão bem assim. Mas o Alexandre se impunha, falava grosso e todo mundo se sentia seguro estando do lado dele.

A Delvânia também era linda. Um ruiva extrovertidíssima que sabia muito bem o quanto era atraente. Não vivia em patotas, como a Verônica. Fazia mais o tipo simpática, que se dá com todo mundo e não se amarra em ninguém. Aparentemente, não tinha namorado. Chegava, de vez em quando, no Colégio, no carro de um cara com aparência de primo.

Num belo dia, num aniversário qualquer, a Verônica não pôde ir. Mas a Delvânia foi.
Foi e deixou tudo o que parecia homem babando. Estava uma coisa. Um coisa tal que fez o Alexandre ficar mais do que deveria e dar o bolo na Verônica.

Começou então uma pequena história de paquera que se transfomou em assédio. Não se conformando com as seguidas rejeições, Alexandre, completamente apaixonado, chegou a agarrar a Delvânia num corredor para roubar um beijo.

Foi aí que a Delvânia cometeu um erro paquidérmico, uma besteira mesozóica de que ela nunca mais se recuperou. Simplesmente contou à Verônica que estava sendo grosseiramente assediada.

É claro que a Verõnica deu uma interpretação conveniente. A provocadora era a Delvânia, é lógico. Uma ladra dos machos das outras. Uma puta sem vergonha que fazia o que as outras não faziam e por isso atraía os homens. Pra piorar, o Alexandre colaborou com a versão numa cafajestada típica: "foi ela quem deu em cima de mim".

Dali, foi água de morro abaixo. Nada segurou a versão e a mentira foi tão repetida por tantos que acabou virando verdade.

Ainda tive tempo de ficar amigo da Delvânia antes que ela fosse embora. As pessoas isoladas exercem sobre mim uma atração irresistível.

Porém, por mais que tentasse desmentir a fama da minha amiga, ninguém acreditou. Como ninguém nunca acreditou também que eu não estava querendo comer a ruiva. Foda, não ?!

Histeria coletiva montada em fantasia é mesmo uma merda.

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Comentários

  1. Li com imenso prazer o texto. O estilo de narrar é tão intenso que conseguimos visualisar os/as personagens com detalhes. Merece uma ilustração. Muito legal! bj.

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  2. Pois é... no dia que o "povinho"( gente que cuida do quintal do outro mas ignora o que se passa no seu) começar cuidar de sua bunda e deixar a bunda do outro em paz, o Brasil crescerá.
    Ali o que aconteceu foi;
    -Quem quer mas não pode, pois é baranga, pelancuda e sem cacife pra bancar uma exposição.
    -Quem pode, mas não tem "peito" pra assumir sou gostosa e os outros que se lasquem.
    -Quem gosta de pregar moral,e se não fosse duas caras faria coisas de arrepiar.
    Fico pensando o que será que esses "puritanos" não fazem as escondidas????
    Bjusssssssssssss.

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  3. Seu texto inspirou meu depoimento.

    Nunca fui puta, piranha serve ?

    Este caso foi sério. Fui expulsa de uma escola, onde os professores, jovens em sua maioria, tinham seus casinhos, inclusive com algumas amigas minhas. Não tinha nada com isto, mesmo porque, não era minha praia. Mas para muitos, eu tb dava. Fui assediada até pelo diretor !!! ( acho que foi aí que pegou )Este caso foi muito humilhante realmente !! Muita gente fazendo pressão pela nossa saida, até que, finalmente, se consumou.

    Minha mãe nunca soube. Preferi mentir e me preservar. Um dia eu digo o nome deste "estabelecimento de ensino" tradicional da zona sul. Hoje daria um belo processo, mas minha vida mudou ali.

    Este outro, já mais engraçado, foi com um ex. Terminei um namoro de dois anos para começar um outro com meu marido. Durante a conversa, vendo que não conseguiria mudar a minha decisão, ele me pediu em casamento. Recusei, obvio, mas não escapei do "piranha". Sabe que ri ? O que é a rejeição !!!

    Tive oportunidade, meses depois, de faze-lo repetir o "xingamento" na frente do meu namorado. Adorei ver a cara de babaca do covardão, pedindo desculpas.

    Não transar com o cara que todas querem, é difamação na certa !! Que mulher já não passou por isto ? O biquini comprado errado, que voce só descobre depois de cair no mar !!! Querem te ver longe dali, como se a própria não quisesse se enfiar na areia !!!

    Sem querer minimizar o "Caso UNIBAN", o preconceito contra a mulher é antigo, rotineiro, injusto e irreversível na mente dos homens ( ser humano ). Prestemos atenção na forma de como estamos educando nossos filhos. Fica o alerta !!!

    Voltando ao ex. Hoje ele é meu amigo, mora em Friburgo, me convida sempre para ir lá ve-lo, e nunca esqueceu esta "piranha" aqui !!! rs
    bjsss

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  4. É verdade, Marilia, que a rejeição faz do homem um bicho acuado que costuma reagir com as piores canalhices.

    Mas também é incrível como as mulheres costumam ser solidárias na destruição de uma suposta fêmea fatal. A fama de "ladra de namorados" é devastadora e se espalha fácil como fogo em mato seco.

    Beijos

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  5. Amigo,
    não resisti e acabei fazendo um desenho tipo "pop art digital" para ilustrar teu ótimo texto.
    bj

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  6. Pô! agora que reparei que a garrafa de coca explodiu com tampa e tudo! esqueci de tirar a tampa...rs. Sorry...
    A resolução tb tá horrivel. Vou corrigir, ok?
    bj

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  7. O texto está mesmo gostoso. Mas eu também não acredito que vc não estava a fim da ruiva...

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  8. Esclarecendo mais o assunto, fui eu e mais tres pra fora, e a pressão maior, partiu das mulheres, dá pra acreditar ?
    É verdade sobre o que disse sobre as mulheres, mas ruiva e bonita, aí já é sacanagem...rs
    Não te conheço ainda, "O q provoca"...
    bjinho

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  9. (MUITAS GARGALHADAS)
    Bem, é verdade que a imagem da Delvania, naquela época, motivou alguns banhos meus mais demorados, se é que vocês me entendem.
    Mas nunca fiz o ataque frontal. Tinha medo de ser rejeitado, ficar com raiva e fazer uma canalhice com ela também. (mais gargalhadas)

    Vamos nos conhecer, sim, Marilia. Estarei na proxima reunião de diretoria, sem falta. Acho que vai ser na próxima sexta, dia de Zumbi dos Palmares.

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  10. Em tempo: me amarrei na ilustração. Quero fazer um poster dela, "o que desenha".

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  11. Querido provocante, taí a ilustração em sua forma final, ok? bj.

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  12. Querido, ainda não estava pronto...rs. Achei que essa tal de Verônica (a do meio na ilustração) precisava ficar mais putinha um pouco. Assim, colori seus olhos e boca e lhe arranjei um seio desnudo...concorda?
    Meus desenhos são assim mesmo: nunca estão prontos. Modifico-os sempre. Chamo-os de desenhos vivos. Só estarão prontos no dia que eu for desta para melhor! bj

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  13. A composição está perfeita.
    Mas é bom lembrar que a Verônica era uma boa de uma "filha da" e não a própria puta.

    Beijo

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. Ok, amigo...Eu entendi o texto. Mas, pra mim, puta é a Verônica e pronto! rs. A crônica é ótima. Manda outra pra eu ilustrar. bj.

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